Artista desconhecido
Sentada numa escada estava ela um dia desses. Vestindo calça
jeans e uma camiseta nerd colada ao seu sketchbook. Não sei o que ela estava
desenhando mas estava bem entretida. De vez enquando parava para acertar os
grandes óculos que não paravam em seu nariz de batata. Em outras levantava a
cabeça e olhava ao seu redor como se voltasse a terra mesmo que por alguns
segundos.
Nestes segundos ela para e olha para quem está numa boa
posição ou é digno de um espaço em seu caderno.
Não que ele seja de extrema importância ou de extremo capricho – na verdade ela o acha
monótono demais para ser considerado arte -, mas para praticar técnicas ainda
não aprendidas. É muita imaginação para se tirar de uma cabeça só.
Sempre que fazia essas paradas, ela fotografava o que via e
voltava a direção de seus olhos para o caderno. Mas dessa vez ela o fechou e observou todos presentes
naquela imensa praça da manhã de domingo. Nada de interessante, havia apenas
alguns jovens encostados numa árvore ou então senhoras e senhores andando para
continuarem saudáveis.
“Por que eu não tenho ideias para desenho e porque todos os
rostos têm a mesma feição?” perguntava-se ela a maioria das vezes. E não pensem
que ela não sabia da resposta, não. Pois dessa ela sabia de cor e saltiado.
Ela era apenas uma de muitas outras pessoas que vivem atrás
de livros, internet ou de
curta-metragens com suas próprias teorias para diversos assuntos e um mundo
inteiro montado em seus apenas dezesseis anos. O que faltava era sair das
páginas de papel para viver o mundo real ainda não contado por livros ou filmes.
PorBella
